sexta-feira, abril 30, 2004

Kill Bill - A Vingança vol.2, Segunda Parte

Ora onde ia eu? Ah sim! O raio do filme e porque razão não fica nem perto do primeiro:

Depois de Quentin Tarantino (QT) nos presentear com um excelente filme de acção com um bom plot, e gags típicos de um qualquer filme de anime japonês, como foi o primeiro Kill Bill, a sequela (ou segunda parte, ou o que quiserem) é apenas uma forma de perpetuar lucros.

O filme é parado, sem conteúdo, e extremamente longo para o pouco desenvolvimento que tem. Descobre-se o nome da *piiiiiiiip*, que rompe toda e qualquer aura de mistério que possuia... a míuda chama-se Beatrix Kiddo (e não, não é um spoiler, já que o nome dela é totalmente irrelevante, tirando para se compreender que quando o Bill lhe chama Kiddo não é a alcunha para "Míuda" mas sim o apelido dela). O "combate" com o Budd não passa dela levar um tiro e ser enterrada viva (isto sim um SPOILER), já que depois é a California Mountain Snake (vulgo, Pala-no-Olho) que o mata. O combate com esta última é uma palhaçada curta e descabida.

E depois temos o combate final com o Bill.. rídiculo... vinte minutos de conversa e 5 segundos de acção... litaralmente!!!!

Ok, é giro saber tudo aquilo sobre eles os dois, mas esperava-se uma espectacular luta entre Uma Thurman e David Caradine.... em vez disso temos um flash de espadas e "Os Cinco Toques do Coração Explosivo".... baaaaaaaaah

QT, desiludiste...

Por outro lado percebe-se o título do filme "A Vingança". É a vingança de QT aos críticos que difamaram o seu nome ao longo dos anos... ao menos agora ele está seguro que as más-línguas dos críticos estão justificadas... o filme não faz mesmo jus às expectativas...

E assim acontece...

Kill Bill - A Vingança vol.2

Ora cá estou eu de novo... o único, o incomparável, o do ego grande, o vosso mais recente escritor: ONEIROSSSSS!!!!

Como anunciei ontem, hoje retomei as minhas idas ao cinema... infelizmente o Van Helsing ainda não tinha estreado... só para a semana... enfim.

Mas fui assistir ao Kill Bill - A Vingança vol.2, o 5º filme de Quentin Tarantino (sim, porque ninguém me tira da cabeça que este é outro filme e não apenas a segunda parte do vol.1). Peguei no Raw (não literalmente) e lá fomos os dois ver o raio do filme. E raio do filme porquê, pergunta o (inexistente) leitor? Ora porque o filme é um bom pedaço de bosta sem pernas para andar, que vive da sombra e sucesso do seu congénere do mesmo nome, o primeiro Kill Bill... continuo depois que agora vou jantar, que isto até as divindades têem de se alimentar...

Até já para segunda parte do meu tenaz comentário ao raio do filme...

quinta-feira, abril 29, 2004

O meu primeiro blog - Round 2 (ou "Volte-Face" e publicidade cinéfila)

Pois é... e eis que depois do desfalque de terça feira passada, dia infame para a história em que deveria ter aparecido o meu primeiro blog, volto a ganhar coragem para uma segunda tentativa (e se esta falha mando o blog àquele sítio onde o sol nao brilha, e sigo em frente).

Tentei fazer uma entrada em grande, como se diria, pelo que demorei mais de uma hora a escrever a puta do post. Introduzi citações inteligentes, e elementos culturais diversos. Mandei piadas e tentei dar o meu pequeno contributo à comunidade dos achincalhadores da sociedade capitalista e respectivos esquemas de publicidade. Agora fartei-me... agora não mais tenho pachorra para escrever à unha todo o poema que havia seleccionado, e de repetir os mesmos gracejos... agora uso a cabeça e faço copy-paste do raio do poema on-line, e limito-me a mandar umas bocas...

Um grande blog se perdeu... um novo nasceu...

E reza assim:

Como foi anunciado aos nossos (inexistentes) leitores assíduos, a equipe sofreu (ou melhor, ganhou) mais uma adição. Moi même. Apartir de hoje somos três os javardos que diariamente (ou então não) vêm aqui javardar o nosso bom português, como língua e como nação... e por tabela também batemos em todos os outros... ao menos não fazemos discriminações. Como já dizia o outro "Ridendo castigat mores" (que é como quem diz "A rir se castigam os custumes", ou para os menos intelectuais "Vamos lá mandar bocas que julgamos ter piada, a gozar com as parvoíces que por aí se dizem e fazem em praça pública"). Caso não saiba quem foi o autor desta célebre frase portuguesa (embora venha em latim... vá-se lá entender os intelectuais), então recomendamos que repitam o 7º, 8º e 9º anos de português, porque foi o idiota do Gil Vicente... já sabe quem foi? Ainda não? "Auto da barca do INferno" diz-lhe alguma coisa? "Auto das Índias"? Teatro sabe o que é? É por aí... vá então às aulas que não perde nada a não ser tempo e ganha cultura. Se sabia quem foi o autor da frase, então parabéns: é um marrão pseudo-intelectual com a mania que sabe tudo. Eu, pergunta o leitor? Eu não sou nada disso... como entidade divina, estou acima de tais classificações (ou então não).

De qualquer forma, fica aqui o tal poema que passei à unha antes de começar a usar a cabeça... deixo-vos com o incomparável Edgar Allan Poe, e o seu poema mais conhecido "The Raven":

Once upon a midnight dreary, while I pondered weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
`'Tis some visitor,' I muttered, `tapping at my chamber door -
Only this, and nothing more.'

Ah, distinctly I remember it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; - vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow - sorrow for the lost Lenore -
For the rare and radiant maiden whom the angels named Lenore -
Nameless here for evermore.

And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me - filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating
`'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door -
Some late visitor entreating entrance at my chamber door; -
This it is, and nothing more,'

Presently my heart grew stronger; hesitating then no longer,
`Sir,' said I, `or Madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you' - here I opened wide the door; -
Darkness there, and nothing more.

Deep into that darkness peering, long I stood there wondering, fearing,
Doubting, dreaming dreams no mortal ever dared to dream before
But the silence was unbroken, and the darkness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word, `Lenore!'
This I whispered, and an echo murmured back the word, `Lenore!'
Merely this and nothing more.

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping somewhat louder than before.
`Surely,' said I, `surely that is something at my window lattice;
Let me see then, what thereat is, and this mystery explore -
Let my heart be still a moment and this mystery explore; -
'Tis the wind and nothing more!'

Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven of the saintly days of yore.
Not the least obeisance made he; not an instant stopped or stayed he;
But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door -
Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door -
Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
`Though thy crest be shorn and shaven, thou,' I said, `art sure no craven.
Ghastly grim and ancient raven wandering from the nightly shore -
Tell me what thy lordly name is on the Night's Plutonian shore!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning - little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blessed with seeing bird above his chamber door -
Bird or beast above the sculptured bust above his chamber door,
With such name as `Nevermore.'

But the raven, sitting lonely on the placid bust, spoke only,
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered - not a feather then he fluttered -
Till I scarcely more than muttered `Other friends have flown before -
On the morrow will he leave me, as my hopes have flown before.'
Then the bird said, `Nevermore.'

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
`Doubtless,' said I, `what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master whom unmerciful disaster
Followed fast and followed faster till his songs one burden bore -
Till the dirges of his hope that melancholy burden bore
Of "Never-nevermore."'

But the raven still beguiling all my sad soul into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird and bust and door;
Then, upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore -
What this grim, ungainly, gaunt, and ominous bird of yore
Meant in croaking `Nevermore.'

This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet violet lining that the lamp-light gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamp-light gloating o'er,
She shall press, ah, nevermore!

Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by angels whose faint foot-falls tinkled on the tufted floor.
`Wretch,' I cried, `thy God hath lent thee - by these angels he has sent thee
Respite - respite and nepenthe from thy memories of Lenore!
Quaff, oh quaff this kind nepenthe, and forget this lost Lenore!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

`Prophet!' said I, `thing of evil! - prophet still, if bird or devil! -
Whether tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate yet all undaunted, on this desert land enchanted -
On this home by horror haunted - tell me truly, I implore -
Is there - is there balm in Gilead? - tell me - tell me, I implore!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

`Prophet!' said I, `thing of evil! - prophet still, if bird or devil!
By that Heaven that bends above us - by that God we both adore -
Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden whom the angels named Lenore -
Clasp a rare and radiant maiden, whom the angels named Lenore?'
Quoth the raven, `Nevermore.'

`Be that word our sign of parting, bird or fiend!' I shrieked upstarting -
`Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken!
Leave my loneliness unbroken! - quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

And the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
And the lamp-light o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted - nevermore!

Lindo não é? Se não compreende inglês, então mais uma vez recomendo um regresso ao liceu, ou uma passagem por um dos muitos institutos que ensinam essa língua. Pode ser a língua dos ianques, mas é também a língua de Shakespear, Artur de Camelot e do professor J.R.R. Tolkien... aprenda-a, vai ver que não dói nada e apenas pode ganhar com isso.

Adiante, e começando oficialmente com as javardisses e alarvidades: publicidade nos cinemas, foi o tema escolhido para este meu blog de estreia.

Sou um cinéfilo. Adoro ir ao cinema (amanhã vou ver o Kill Bill vol.2 e o Van Helsing). Chego a ir 3 e 4 vezes por semana, quando o orçamento permite, e sou daqueles que vai ver ante-estreias, maratonas, sessões especiais, estreias, e o mesmo filme duas e três vezes nas salas. A minha média semanl de idas ao cinema (descontando os períodos em que não tenho cheta, como agora) deve rondar os 3 filmes por semana... à que aproveitar os preços de segunda, e quando temos preço de segunda todos os dias da semana por andar-mos com um cartão amarelo a dizer que somos estudantes no bolso, então a tentação é grande e a carne fraca.
Com tanta ida ao cinema, acabo invariavelmente por mamar muita publicidade antes dos filmes. Já me dediquei a contar os anúncios que passam antes das sessões, e o record é 18. A média deve ser entre 10 a 15. É uma injecção tremenda que só pode ser comparada aos intervalos dos filmes televisivos na TVI, mas divago.
Ora entre tanta ida ao cinema, e com tanta publicidade, era de esperar que soubesse todos os produtos que existem no mercado... mas não... isto porquê? Porque 90% dos anúncios que passam no cinema são a perfumes. Ele é Noa's, ele é Cacharell's, ele é Paco Rabeta ou lá como é que o homem se chama ("homem" entre aspas), enfim... é uma festa.
Ora eu aprendi algures que as publicidades devem ser direccionadas ao seu público alvo, daí os anúncios de brinquedos passarem ao fim de semana de manhã, os a produtos de higiene e limpeza da casa e da pessoa entre as novelas, e o belo do anúncio a carros, gillettes e afins passar no intervalo da bola.

Conclusão: das duas uma, ou eles estão a dizer que o pessoal nas salas de cinema cheira mal, ou então descobriram que eu vou muito ao cinema e querem passar-me uma mensagem subliminar qualquer... isso implicaria que sou um público-alvo... meu deus! Sou um alvo!!!

Quem me quer aniquilar?!?!

E assim acontece...

terça-feira, abril 27, 2004

The world is a stage, make sure you get an ovation.

Caros leitores, após alguns meses de afastamento, eis que regresso em pleno ao ambiente da "blogosfera" neste momento tão importante em que acolhemos no seio desta família um novo membro... Espero que gostem das linhas que ele deixará próximamente neste blog, porque senão tou-me a cagar.
Enfim, neste periodo de ausência reparei nalgumas coisas que me inquietaram, uma das quais foi o facto de qualquer animal se julgar uma grande celebridade neste país, senão vejamos, neste país de brandos costumes onde até transsexuais resultantes de uma mistura de Michael Jackson com Fátima Lopes, chegam a ter protagonismo no nosso meio social só me apraz dizer que algo vai mal por estas bandas... Enfim se a Marisa Cruz conseguiu participar numa peça de teatro, qualquer dia temos o emplastro a apresentar o "Portugal no coração", ou ainda pior o Carlos Cruz a apresentar o Clube Disney. "I'll be back".

terça-feira, março 09, 2004

Graciete e o senhor estéril

Um dos grandes problemas de ser uma personagem mediática é ter que ajudar os menos favorecidos; jesus curou uns quantos leprosos moribundos, que não lhe valeu de muito, passado algum tempo espetaram-no num pau; Lady Di tirou fotografias com crianças africanas, cuja admiração principal delas era como é que alguém se equilibrava com um nariz daqueles. a Lili Caneças foi ao casal Ventoso. Agora, surgiu a altura de pegar nuns quantos deficientes visuais com problemas de retenção anal, juntar uma celebridade qualquer e fazer publicidade à Scotex, para substituir os ridículos cães.
Sim, porque após o fantástico estímulo à segurança rodoviária em que mostravam pessoas que ficaram paraplégicas ou assim devido a acidentes ter sido exibido na TV, a publicidade chegou a um pico da sua existência que dificilmente vai ser ultrapassada, a não ser que prometam transmitir em directo a Odete Santos a ter um filho... aí juro que arranco os meus olhos e dou-os de comer à tartaruga. Mas pronto, o mais provável seria a criança enforcar-se no cordão umbilical assim que visse a sua mãe. I rest my case.

domingo, fevereiro 29, 2004

Devenir Gris

Tudo começou em 1956, com o nascimento do terceiro testículo da sociedade portuguesa, tão útil e igualmente incomodativo. Trata-se de Lena D'Água, uma nódoa que se propagou nas mais diversas categorias artísticas tal como uma epidemia de mau gosto causadora de vómito e capaz de enojar o mais forte dos estômagos. Começou por soltar sons similares a animais a serem chicoteados, ao que ela chamou "cantar". Lançou ainda uns 4 álbuns, totalmente dispensáveis e de díficil audição, não fosse a mulher dona de uma voz horrível que justificaria a existência de um campo de concentração só para ela. Tentou ainda música infantil, mas por pouco tempo, pois descobriu que as suas semelhanças faciais a um cavalo velho assustava as crianças. Pior ainda, foi o lançamento do seu livro de poesia, uma amálgama disconexa de palavras escolhidas ao acaso e rimas forçadas. Felizmente, as empresas discográficas ainda não se lembraram de lançar o seu mais recente álbum. Não tenho nada contra a "mulher", apenas espero que ela tenha um acidente de iate ou que as suas cordas vocais sejam dilaceradas com uma gillette.

quinta-feira, fevereiro 12, 2004

take your partner by the hand, he's a woman, she's a man

Oh, o belo e luxuoso Dia dos Namorados, mais um acontecimento universal cuja futilidade apenas se equipara ao uso de arpões na pesca da minhoca. Neste dia, centenas e centenas reunem uns trocos para gastar com os respectivos parceiros, mas com 3 grandes clichés de escolha: o peluche, onde se oferece um animal com cara parva e propício à acumulação de pó; os bombons, como dizer "espero que engordes muito e tenhas uma crise acneica" e, claro, as flores. Sim, as pessoas oferecem plantas mortas umas às outras. E porque não animais? Se eu raspar um gato morto do asfalto e o embrulhar em papel colorido com um cartão a dizer "I love you" é ofensivo. Mas plantas não. Ou oferecer uma tupperware com cozido à portuguesa com um laçarote à volta... Mas chocolates já é aceitável. Mas sim, aproveitem o dia para dar um passeio por um jardim, ou irem ao cinema. Caso escolham a segunda, lembrem-se do velho "querida, apanha aí as pipocas".

terça-feira, fevereiro 03, 2004

Perspectivas Diferentes

Na senda de conteúdos poeticamente condizentes com a tradição deste blog, decidi seguir o exemplo do meu colega e presentear os leitores com mais uma pérola lírica daquele grande poeta, Bocage:

"A Água"

Meus senhores eu sou a água
Que lava a cara, que lava os olhos
Que lava a rata e os entrefolhos
Que lava a nabiça e os agriões
Que lava a piça e os colhões
Que lava as damas e o que está vago
Pois lava as mamas e por onde cago.

Meus senhores aqui está a água
Que rega a salsa e o rabanete
Que lava a língua a quem faz minete
Que lava o chibo mesmo da raspa
Tira o cheiro a bacalhau rasca
Que bebe o homem, que bebe o cão
Que lava a cona e o berbigão.

Meus senhores aqui está a água
Que lava os olhos e os grelinhos
Que lava a cona e os paninhos
Que lava o sangue das grandes lutas
Que lava sérias e lava putas
Apaga o lume e o borralho
E que lava as guelras ao caralho

Meus senhores aqui está a água
Que rega rosas e manjericos
Que lava o bidé, que lava penicos
Tira mau cheiro das algibeiras
Dá de beber ás fressureiras
Lava a tromba a qualquer fantoche e
Lava a boca depois de um broche.

"A Água", de Manuel Maria Barbosa du Bocage.

quarta-feira, janeiro 28, 2004

There's always free Cheddar in the mouse trap

Devido a uma insatisfação geral por parte dos leitores quanto ao conteúdo cultural e informativo dos meus posts, decidi injectar-vos com um pouco de bom gosto lírico, com uma quadra do semi-nosso, semi-francês Bocage, que nos presenteou com soberbos e sumarentos nacos poéticos, inspirando-se em musas modernas encontradas nas mais diversas esquinas.

Arreitada donzela em fofo leito
Deixando erguer a virginal camisa,
Sobre as roliças coxas se divisa
Entre sombras subtis pachocho estreito.

De louro pêlo um círculo imperfeito
Os papudos beicinhos lhe matiza;
E a branda crica nacarada e lisa,
Em pingos verte alvo licor desfeito.

A voraz porra, as guelras encrespando,
Arruma a focinheira, e entre gemidos
A moça treme, os olhos requebrando.

Como é inda boçal, perder os sentidos;
Porém vai com tal ânsia trabalhando,
Que os homens é que vêm a ser fodidos.

Arreitada donzela em fofo leito - de Manuel Maria Barbosa du Bocage

terça-feira, janeiro 13, 2004

You must have just the right bullets and the first one's always free

Num calmo e solarengo dia, ia eu pacatamente pelas ruas da cidade quando reparo que me tinha esquecido do isqueiro. Para resolver o problema, decidi abordar alguém que me pudesse alugar por alguns segundos o objecto desejado. Escolhi um alvo que estava parado à espera de atravessar a estrada, meia-idade, preto (luso-africano if you wish para não ferir susceptibilidades) e algo de esquisito. Pedi- lhe lume, ao que ele respondeu com um olhar fixante durante uns longos 4 segundos, tal Clint Eastwood. Depois tirou do seu bolso um isqueiro enorme e azul, que eu me aprontei em usar, não fosse ele pensar que eu o queria roubar... acendi uma vez....duas..não deu. Virei as costas, não fosse alguma corrente de ar inexistente estar a prejudicar-me... Rien. Abanei o isqueiro... não deu. Ao ver o meu pranto para acender o cigarro, ele abriu a boca pela primeira vez e, como se fosse possuído por uma força sapiente transcendental ao mero humano, olhou para mim, mísero mortal, com sabedoria a correr-lhe nas veias e disse "tenta ao contrário"...uau. Era como se dois mil anos de evolução fossem arrebatados por esta frase, como se o próprio Ser Humano tivesse sido derrotado em todas as suas batalhas. Controlei o meu desmaio, fixei-me na face confiante e serena do Hércules dos Isqueiros, tentei imaginar como um isqueiro ao contrário poderia auxiliar-me... mas o meu reduzido Q.I. impediu-me. Agradeci e virei as costas ao colosso da massa cinzenta.

segunda-feira, janeiro 05, 2004

Efeito da insónia

Eis que após a tradicional paragem natalícia, este blog regressa em força aos temas que marcam a nossa actualidade.
Uma destas noites em que eu me encontrava com a habitual insónia, fui confrontado com um pensamento deveras inquietante que se relacionava precisamente com o passado, ou seja, fui subitamente assaltado com algumas das mais perturbadoras imagens que o meu registo mental possuí até à data; ressalvando a que mais me desperta inquietação (pelo menos a que me lembro neste momento), recordo a história de um adolescente espanhol que por se identificar com um determinado jogo de vídeo, "decidiu" matar e mutilar a sua própria família, com uma espada de samurai, despejando posteriormente esse mesmo "conteúdo" em contentores do lixo... Sendo este um caso relativamente recente, vejo-me forçado a reflectir no rumo que por vezes a sociedade em que nos inserimos, nos leva a tomar e se, efectivamente, esse mesmo rumo nos será ou não imposto pelas circuntâncias. Será que um dia destes iremos ver o caso de uma velhinha tresloucada, a assassinar toda a sua família com bordoadas da sua botija de oxigénio só pelo facto da sua novela favorita acabar mal? Ou talvez um dia hajam relatos de uma história em que um pai acidentalmente incendeia a sua casa, só por exagerar no consumo de episódios do MacGyver... Meditem sobre isto, fiéis leitores.

terça-feira, dezembro 16, 2003

o homem santo

Há uns dias, estava eu no zumbieficante zapping televisivo, quando deparo com uma imagem que se resume a um aipo coberto de branco meets vibrador industrial; sim, refiro-me ao papa, esse naco de carne putrefacta conservada em drogas. Ok, partindo do facto dele estar morto há já uns anitos, não tenho nada de importante a apontar contra o "homem", mas sim contra os seus seguidores, que veneram o morto-vivo. Sim, sem dúvida que ele é a prova que existe vida para além da morte, mas milhões de pessoas que se reunem para verem o cadáver regurgitar alguns grunhidos e palavras monossilábicas, com um ocasional vocábulo em latim, não é fé, é sadismo; por trás disto está a mafia, que controla um movimento de apostas em que dia o "homem" se desfaz em pó. Mas também prova que há pessoas muito fracas e vazias que substituem essa "emptyness" com uma crença religiosa; o próximo passo é enfiarem uma cana no orifício anal de um esquilo morto com uma tabuleta onde se lê "idolatrem-me".

Atiradores Furtivos

Vou aproveitar este post para falar dos maiores atiradores furtivos dos nossos tempos, falo, obviamente, dos pássaros que habitam as nossas arvóres e, quais Robin Hoods de penas e bico, fazem das nós autênticos alvos nos quais se ganha mais pontuação quanto mais perto se acertar da cabeça; Até chego a pensar que essas monumentais cagadelas servem como meio para um pássaro engatar... Até já estou a imaginar um pardal no alto do seu ramo, dizer para o objecto do seu desejo: "Querida, vê bem este tiro que eu vou mandar em cheio na tola daquele paspalho com a mão no nariz"... Bem, resta-nos esperar que não sejamos esses mesmos alvos, e quando o formos limpar na roupa da pessoa mais próxima de nós, mas discretamente senão estamos sujeitos a ficar com um olho à Pipi e uma cagadela. Tenho dito.

domingo, dezembro 07, 2003

Síndroma Expo '98

Regras para um centro comercial na época natalícia: o mais importante, nunca se sai de casa sem um idoso. Se se quer ir a um centro comercial, levamos sempre um personagem moribundo e com dificuldades em andar, não vá um engraçadinho qualquer pensar em ter pressa numa altura destas. Depois, vamos buscar o nosso filho. Sim, ele é minúsculo e tem que se levar um carrinho. Sim, ocupa espaço e vai contra toda a gente. Sim, deviam arranjar uns bidons para depositar os putos antes de entrarem no centro comercial (e sim, tenho uma aversão a putos). E finalmente, gostaria de propor um batalhão de execução disponível para empalar os que se deslocam tão rápido como um anão sem membros a tentar subir umas escadas. Não só o centro comercial se torna uma mini-New York, um melting pot autêntico em que se encontra gente de todas as raças e feitios, à semelhança da arca de Noé com a diferença de ,neste caso, nenhum dos animais nos querer assaltar nem fazer comentários sobre a nossa companhia feminina, mas também ficamos nostálgicos ao recordar a Expo '98... "ah que bom, como eu gostei de passar 3hras na fila do Pavilhão da China para ver a História da dinastia Ming em vasos, e agora para comprar umas cerolas tenho que viver o desembarque na Normandia". C'est tout

Nota ao leitor.

Caro leitor, devo confessar que fiquei extremamente contente ao verificar que este blog serve de objecto de leitura precisamente ao público ao qual se destina, como se verifica nalguns comentários que o leitor terá oportunidade de verificar; Fico assim muito contente que este espaço degradante e desconexo seja, ainda assim, lido e visitado por leitores que demonstram este espírito na perfeição, contrubuíndo sobremaneira para uma divulgação deste espaço precisamente no meio para o qual foi criado...e mais, aprecio a intelectualização com a qual somos brindados em determinados temas, fico contente por saber que existem pessoas capazes de pensar tanto nas idiotices e animalidades que eu como co-autor deste blog tenho o prazer de regurgitar neste mesmo espaço.
Desde já agradeço a atenção e faço votos para que continue.

sexta-feira, dezembro 05, 2003

un petit à-parte

Sinto-me deveras radiante com o meu primeiro post, pois não só foi a minha afirmação pessoal de estupidez, como também foi lido por uma psicóloga, que se apresentou como "Joan Doe". Ora, desde já quero agradecer a sua preocupação com a minha psique e as tentativas de escrever algo maturo que ocultam uma forte vontade de fugir ao seu "eu primordial" que encerra um sentido de humor mais básico, mais infantil. Mas pronto, nunca pensei que alguém tão maturo fosse ler o meu post, acreditem que estou comovido com esta disponibilidade. Talvez consiga com que alguém repare no meu post na parte do "papás de popó" tenha a ver com um complexo de Édipo reprimido ou com alguma esquizofrenia, e que neste último post relacionem os golfinhos com a sua forma fálica.

Goodbye Flipper

Algures no nosso planeta, um deficiente visual descobriu uma maneira de "ver", ou seja, recorreu à utilização de "estalos" dados com a língua para, através da acústica, percepcionar um mapa mental do local onde se encontra. Até aqui tudo bem, mas relembremos a natureza humana de tentar fazer tudo para ganhar dinheiro. Já imagino, no Zoo de Lisboa, um homem com um megafone em frente a uma piscina a transmitir para um publico atento "Eis Vitor, ex-Operário Fabril, descobriu que consegue emitir estalidos mais estridentes e melodiosos que o regular golfinho e está aqui para alguém lhe dar uma sardinha à boca". Talvez George Orwell estivesse armado em Nostradamus ao congeminar "O Triunfo dos Porcos", mas com o lapso no animal, sendo "golfinho" o correcto. Quem sabe isto seja um sinal da revolta, uma segunda Guerra Fria entre humanos e animais... ou sinal que vejo TV a mais...I rest my case.

terça-feira, dezembro 02, 2003

Olimpíadas de Sucesso

Eis que aconteceu um dos fenómenos desportivos mais interessantes do últimos anos, a tenista belga Kim Clijsters anunciou recentemente que não irá participar nos jogos olímpicos de 2004, devido ao facto de a marca que lhe fornece os equipamentos não ser a mesma que patrocina o referido torneio; ora bem, se me é permitido fazer uma sugestão, acho que seria uma boa ideia ela participar sem roupa... assim não se levantava esta polémica das marcas de quipamentos e de certeza que atrairia mais adeptos aos jogos em que Clijsters participaria, senão vejamos; em vez de se observarem os habituais movimentos de cabeça em sinal de discordância por parte do público, era vê-los todos a dizer que sim, que sim, que sim acompanhando os movimentos corporais da bela da prateleira belga.

terça-feira, novembro 25, 2003

À Espera

Pronto, a minha estreia no blog será com uma descoberta interessantíssima que fiz; porque é que as escolas fecham durante os fins de semana. Descobri a resposta por volta das 18h de uma sexta-feira em que passei por uma preparatória e lá se encontravam 2 crianças em lugares distantes a olharem para a estrada à espera dos seus papás para as virem buscar de popós. É simples. Os pais pagam para manter as pestes fora de casa, inserindo-os no dito "sistema de ensino". Mas, quando os pais decidem que o filho está a dar prejuízo em excesso ou inicia a sua rotina sexual muito precocemente, têm, através de um contrato com a escola que pode ser feito pagando uma soma específica, a oportunidade de despacharem os empecilhos. Como? É simples... Aqueles empregados que vemos a deambular pelos locais de ensino não são mais que uma força de elite que actua aquando o fim-de-semana... o sistema é simples...os pais "esquecem-se" dos filhos, os empregados incineram as pestes, e o resto do fim de semana é passado a raspar os restos do pavimento.

domingo, novembro 16, 2003

Jingle Balls, Jingle Balls...

Estando às portas da época natalícia, e fazendo jus à tradição deste espaço vou espetar aqui com uma javardice qualquer sobre esta mesma quadra. Ora bem , também é certo e sabido que nem toda a gente festeja o nosso Natal, com efeito, e só para citar alguma rotaria porque senão nunca mais saía daqui, refiro os Maometanos e os Budistas; em relação aos Maometanos existe o ramadão, ou seja, periodo em que não podem fazer practicamente nada até uma determinada altura do dia, incluindo fumar, beber, e claro, "jogar ao esconde o nabiço que eu vou tentar encontrá-lo", logo não têem sequer tempo para pensar no Natal uma vez que estão todo esse período com uma sedo-tuso-ressaca; no caso dos Budistas, a história é um pouco diferente senão o doente leitor repare...Idolatram um deus que apesar de pesar uns 200 Kgs, ainda tem coragem para ensinar aos outros o que é a auto-disciplina... e posto isto acho que não é preciso dizer mais nada, pois se o Natal celebra o nascimento do menino Jesus(ainda bem que o Carlos Cruz está preso), é claro que os Budistas não se atreveriam a celebrar uma data que corresponderia ao nascimento de buda, isto por razões óbvias, o rapaz é um bocadito pró cheio e não seria uma imagem muito agradável o estado em que ficaria a senaita da mãe dele depois dele nascer.