domingo, junho 11, 2006

Diário de um Ditador

Hoje foi um dia como qualquer outro. Ser acordado pelo quinteto de cordas de Viena enquanto que me servem o pequeno almoço numa travessa de prata. É bom ver o sol matinal a bater nos caravaggios, e saber que aquela merda nao dura mais do 50 anos por causa disso (mas tambem, pouco me importa, daqui a 50 anos ja ca nao estou...).
Banho matinal, seguido de massagem e um pouco de tiro-ao-pato-bravo (soltam-se os ultimos devedores do fisco pelo jardim, e a piada reside em enfiar um zagalote em cada nadega antes de cairem ao poço dos crocodilos).
Depois os negocios de estado, almoço com o jardineiro enquanto sou servido pelos meus ministros (não há nada mais divertido que ouvir cavaladas à mesa e ser servido por cavalos).
À tarde não faço um cu, actividade essa que se prolonga ate a hora de jantar. Sou um amante da variedade, portanto faço questao de que em cada refeição me sirvam algo unico. Vou ja na minha 46578ª extinção, e francamente, tive pena de ter comido o Lince Ibérico estufado com arroz, em vez de grelhado com batata frita e molho roquefort, mas enfim, a dieta tem destas coisas...
Depois um digestivo à lareira (se for verão liga-se o ar condicionado, para compensar a lareira acesa), e jogo as cartas, o truque é jogar sueca com o Cavaco, e ter como oponentes o Paulo Portas e o Socrates. enquanto os dois panascas se comem com os olhos, eu ponho o cavaquinho a tocar como quero, e limpamos sempre o jogo.
Não há coisa mais deprimente que um socialista a chorar quando perde, mas depois deixo-o ir brincar com o portas e fica logo mais contente.
Enfim, gerir um pais como portugal é algo pacato, se soubesse disto antes nunca tinha passado pela alemanha...

Gutten Nacht!

quarta-feira, junho 07, 2006

the smoke of her burning

Primeiramente, quero congratular o Oneiros pelo 100º post d'O Dia Seguinte, suponho que ele não tenha reparado. Bem, o tédio também me atinge grandiosamente, mas hoje não é o tédio que me preocupa; hoje acordei e a primeira palavra que me surgiu foi "foda-se". Ora, quando um dia começa assim, NÃO é bom sinal. seria bom sinal se começasse com "bom dia equipa sueca de ginástica". Não foi o caso desta vez. Ora, este "foda-se" acabou por guiar um pouco o meu início de dia, pois passei a manhã inteira a considerar várias formas de me alienar da razão do "foda-se" e do verdadeiro sentido do "foda-se" em si.
Para muita gente, "foda-se" não passa de uma ordinarice, uma asneirola. Para mim é mais que isso, é um estado de espírito, um Nirvana, uma Iluminação. O "foda-se" faz-me sentir o quarto pastor que viu Fátima, aquele que estava atrás de um arbusto a mijar e começou a ouvir "milagre! milagre!". O coitado não teve tempo de fechar a braguilha e acabou por não ver aparição nenhuma. Hoje, sou o pastor, o meu rebanho é o "foda-se" e vocês todos são idiotas por gastarem tempo a ler o que escrevo.
O "foda-se" é Deus no seu puro estado vingativo, é o Dia do Julgamento numa só palavra. "Foda-se" é o céu e a terra, é a lágrima nas criancinhas, é o paneleiro do Parque Eduardo VII, é a velha naftalinosa da paragem do autocarro. O "foda-se" está em todos nós. Quando D. Afonso Henriques descobriu que a tia se chamava Urraca, saiu-lhe um gordo "foda-se!" pela boca. Quando os portugueses chegaram ao Brasil aquando os Descobrimentos, ouviu-se um colectivo "foda-se" dos nativos. Hoje em dia, quando os brasileiros cá chegaram, retribuimos alegremente com outro "foda-se". É mais que uma palavra, é o limbo entre o Inferno e o Céu, é o Universo, é a flatulência de um taxista numa viagem de 1 hora. Hoje acordei... e "foda-se"


P.S. Eu chamei-vos idiotas, só para se lembrarem.

segunda-feira, maio 22, 2006

Once they said "Necessity is the mother of creativity!", today I say "Boredom is the mother os creativity!"

Sim, estou de volta. Não, não morri... ainda. Sim, estou aborrecido. Sim, são vocês que (mais uma vez) vão ter de me aturar o tédio. Prontos? Eu também não!

Em primeiro lugar, o porquê de tão longa mora na criação de mais uma das minhas tiradas pseudo-humorísticas em que me limito a humilhar-vos de forma a que se riam disso mesmo, escritos com o único e exclusivo objectivo de contribuir para o meu deleite pessoal, através da criação de uma ilusão de superioridade auto-consciente na minha psiquê (sim, eu sei que sou louco e que vocês não poderão jamais compreender tanta verborreia junta... só lêem porque querem!).
Adiante! O motivo de tão longa mora como ia a dizer, prendeu-se com o facto de súbitas e inesperadas alterações na minha rotina diária que levaram a com que o meu tempo lúdico ficasse severamente limitado, e a minha paciência lírica reduzida a zero. Nomeadamente, comecei a trabalhar... pelo menos é o que dizem que eu estou a fazer... cá para mim estou a passar os dias a dizer asneiras, e a manipular mente pueris a um ritmo que me deixa pouco mais em que pensar no resto do dia. Não vou revelar exatamente aquilo em que iniciei actividade. Quem sabe, sabe! Quem não sabe também não interessa!
Para mais e como aditivo e incentivo à falta de vontade de escrever novas alarvidades, iniciei também um processo de transferência de coordenadas geo-imobiliárias do locus residêncial da unidade de base carbónica que uso para me deslocar no vosso mortal plano. Para quem não percebeu, estou a mudar de casa seus génios!!!
Estes dois factores, quando combinados com a falta de inspiração contínua e uma ligação à net que leva "só" 20 minutos a ligar e estabilizar, contribuiram para que não fossem brindados com as minhas pérolas bloguísticas todos estes meses. Hoje como arranjei 5 horas para matar na faculdade...

Espera! Não, não arranjei... o "hoje" a que me referia era o dia 24 de Abril e hoje estamos no saudoso 22 de Maio... só levei quase um mês a retomar a escrita... já nem sei do que queria escrever, mas o título mantêm-se e continuo a usar os interfaces real-virtual do locus estudantil de que usufruo (leia-se: continuo sem net em casa e por isso vejo-me forçado a usar os computadores da universidade, na única vez por semana a que a ela me desloco para consultar mails e me dignar a perlar-vos com as minhas palavras).

Espera aí... estive a ler os posts dos meus confrades e... o "Dino" morreu??? Quando é que foi isso??? E já agora, quem era o "Dino"? Não deve ser relevante para o meu equilíbrio sanidade/felicidade, por isso esqueçam...

Adiante... Isto de só se usar a net uma vez por semana tem que se lhe diga meus "caros" (shya right!) leitores. Nomeadamente a minha caixa de mail que normalmente nunca passava dos 5 ou 6 mails para ler (após apagar incerimoniosamente (acho que inventei uma palavra) todo e qualquer spam (incluindo flame-mail dos meus irados críticos... bah! Sabem lá o que é arte), está agora com cerca de 150 mails por ler (já contando com os 300 e tal spams que apaguei). Devem tar cá com uma sorte que nem água bebem se pensam que vou ler tudo aquilo!! E a seguir vou ler o quê? As páginas amarelas? Talvez o Dicionário! Por isso se algum de vocês energúmenos me enviou algum mail importante no último mês, é favor enviar de novo... ah! É verdade, vocês não têm o meu mail! Então não interessa... e por falar em mails... SABEM QUE EXISTE UM MAIL D' O DIA SEGUINTE PARA UM MOTIVO!?!?!? Contava eu usar os vossos mails como temáticas para ínumeros e frutíferos posts, e niente... tirando um ou dois ocasionais e desinteressantes, ninguém parece querer ser esquartejado verbalmente pelas víperinas e afiadas línguas mal-dizentes dos 4 maravilhosos e bombásticos assassinos do portugês (língua e homem), e charmosos e sedutores da portuguesa (língua e mulher)... e que imagem de homens, mulheres e línguas criei eu na minha cabeça... Desculpem-me 5 minutos enquanto vou lavar o cérebro com lixívia... aproveitem para enviar mails para odiaseguinte@yahoo.com (agora já não têm desculpa)...

Cá estou eu de volta com o cérebro mais arejado... ou talvez seja a cabeça que tenha ficado mais arejada agora que o cérebro foi dissolvido pela lixívia... não sei, decidam vocês...

Anyways, continuo entediado, e sem ideias para um post... alguma sugestão? Podem enviar para odiaseguinte@yahoo.com não se esqueçam... e porque diabos não consigo aceder aos webmails do yahoo neste momento???

Enfim, em boa da verdade nem sei porque criei o mail, até os meus colegas o ignoram terminantemente... uma pessoa tenta criar uma forma de interactividade e é ignorada desta forma... aposto que se fosse um saco de box com as nossas caras, todos queriam experimentar... hmmmm... se cobrasse um euro por soco ainda ficava rico... tenho de anotar isto no meu "stupid bored ideias book", juntamente com a ideia de criar uma máquina para produzir um sucedâneo da salsa apartir de cotão (obrigado pelos direito de autor Scott Adams) ou a ideia de inventar uns ténis com rodinhas nas solas... epera esta roubaram-ma recentemente... bem... é o que dá ter a ideia aos 7 anos e nunca mais pensar nisso... estaria rico agora... estou obcecado com a ideia de ficar rico... e com ideias... será para ter a abébia de me livrar do trabalho? Deve ser isso...

Bem, cheguei ao ponto em que estão entediado em que já nem para divagar alegremente, deixando os meus dedos dançar por vontade própria sobre o teclado, tenho vontade de fazer... e para que o post não fique mais um mês em draft, aqui vai ele... divirtam-se... ou como reza o nosso subtítulo: "ou então não..."

quarta-feira, abril 26, 2006

Albert Frankenstein... o grande pensador.

Enquanto matutava nos possíveis temas para um eventual post que poderia escrever neste belo espaço de diversidade socio-cultural, dei por mim a ter pensamentos indecentes após ver uma fotografia da Angelina Jolie grávida... será errado? Quer dizer, serei condenado a arder no inferno e a sofrer uma eternidade de flagelações e torturas por admitir que sim senhor eu AINDA brincava ao "Seabiscuit" com aquilo? Enfim, deixo isso ao critério de cada um.
O que é certo é que eu não consigo dormir e como vocês devem saber, principalmente os que se dão ao trabalho de ler assiduamente este blog, é a madrugada que mais frequentemente estimula a criatividade para que dos nossos dedos quais tocadores de cravo no século XVII vos brindem com as habituais verborreias e alarvidades... isso e uma boa ressaca depois de uma boa noite a enjorcar cerveja e mijar nos ténis alheios... mas isso já é outra história. Mas como eu estava a dizer, não consigo dormir e tendo em conta que estamos em feriado e supostamente as pessoas que têm vida vão trabalhar amanhã, salvo raras excepções como por exemplo os deputados, o problema torna-se ainda mais grave... Não por ter de me levantar cedo amanhã mas sim pela quantidade de porcaria que a insonia nos obriga a ver, por exemplo lá consegui apanhar o Fantasma da Ópera na tv; meus amigos eu continuo sem perceber qual é o objectivo de um musical, sim eu sei que os cenários são bonitos e tal mas há simplesmente qualquer coisa no facto de de um momento para o outro uma cambada de anormais começar a cantar no meio da rua ou numa gruta cheia de velas que não se compatibiliza muito bem na minha maneira de encarar o cinema, se calhar estou errado mas de qualquer forma cotinuo a achar que é uma estupidez pegada.
Já agora... ó Senhor Blogger, faça-me um favor e deixe lá de mandar e-mails ao Licantrope a pedir para lhe mostrar o barril e o fio dental, eu sei que o rapaz é mente aberta e simpático e tal mas aqui não há rabilós; se quiser mandar e-mails mande alguns com uma newsletter dos melhores sites porno ou qualquer coisa do género ao rapaz.
Tenho dito...

terça-feira, abril 25, 2006

Avenida Duque de Lol

Não gosto muito de escrever sobre a dita "actualidade", gosto que os meus posts sejam intemporais e não associados a uma determinada altura, mas estou deveras fodido com esta merda toda em torno da morte do "Dino". Ora, primeiro que tudo, tem que se admitir que era um mau actor, não fizesse parte do elenco do Morangos com Açúcar. Mas agora que ele está morto, dezenas são as revistas que têm títulos como "jovem promissor falece" ou "actor em ascensão". Mas isto é a minha opinião. Agora, a TVI teve 65% de audiências aquando a transmissão do funeral dele, o que já por si é uma idiotice filmarem em directo o cortejo fúnebre. Depois, a Sic e a RTP tiveram que pagar direitos de autor para poderem transmitir a imagem do dito falecido. Isto foi, para mim, um expoente na exploração do sentimentalismo. Houve uma afluência de centenas de pessoas ao funeral... amigas combinaram com amigas para irem ver e, o mais macabro de tudo, tocarem no corpo. Acho que foi uma atrasadice mental da parte dos pais permitirem que as filhas de 12, 13 14 anos tivessem o que foi provavelmente o primeiro contacto com a morte deste modo. Vou copiar uma frase que tirei do site d' O Correio da Manhã: "sempre te achei um bom rapaz kom o futuro por a frente mas nm tudo o ke keremos é realizado o teu assidente deve ter sido mexmo mal mas para te alegrar ai no ceu um amigo teu ke ia no carro akabou de ter alta agora xxxxaaaaoooo" ... oh que caralho, estas merdas irritam-me, exploraram por completo o actor mediocre e fizeram dele um herói. A família deixou que tal sucedesse, permitindo a transmissão do funeral. Os pais e mães das miudinhas deviam tê-las trancadas em casa, é ridículo fazerem do funeral e da morte do gajo um espetáculo, um "reality show", como já disseram. Sei que isto é dar importância demais a um acontecimento televisivo, mas é impossível fugir dos media, seja na televisão, rádio, capas de revista.
O puto era mau actor e conseguiram fazer dele um mártir. Nem o Álvaro "Sobrancelhas" Cunhal teve tanta cobertura e, embora também não gostasse dele, acho que foi muito mais importante em variados níveis do que um badameco imberbe. Digo eu, não sei. Espero que o José Eduardo Moniz tenha um resto de vida doloroso e não consiga dormir à noite. Não basta a mulher dele ser a Manuela Moura Guedes. Sabem aquele monstro debaixo da cama que todos os miúdos têm medo? É ela. Este bicho televisivo já me trouxe muitos vómitos, é provavelmente a mulher que consegue ser mais feia que qualquer homem e mais irritante que os livros do Saramago. Aliás, tenho as minhas dúvidas quanto ao facto da MMG ser uma mulher, porque é uma quebra no meu processo mental de considerar as mulheres seres belos e esculturais. A minha conclusão é que o Moniz é rabeta porque está casado com um homem. Por hoje é tudo. É 25 de Abril e estou triste, já são anos em excesso de uma revolução inútil que deixou o país numa queda livre de atrasados mentais no poder e democracia popularucha barata em que ganha quem as velhinhas gostam mais. Hoje acordei fodido.

sexta-feira, março 31, 2006

I can see what you see not, vision milky then eyes rot, when you turn they will be gone, whispering their hidden song.

Limpar ervilhas uma a uma com um cotonete ou cortar as unhas com um lança-chamas? A questão
que hoje me questiona (isto de escrever posts sem ter tomado café tem resultados macabros) é apenas esta: se o Tio Patinhas era o pato mais rico de Patópolis, como é que ele não pagou a um assassino para matar os Metralhas... ou para matar o Donald e os seus sobrinhos irritantes? E crucificar o Mickey? E apedrejar o pateta? Acho que deviam fazer uma longa metragem chamada "Uncle Scrooge: The Rampage"... seria um sucesso. Outro livro que deviam editar é o "Guia do Estudante: Escreves Mal Mas Como Ainda Estás Na Faculdade Tens Desculpa Para Isso e és Capaz De Ser o Novo José Luís Peixoto".

domingo, março 19, 2006

Christmas Card From a Hooker in Minneapolis

Não, o Dia Seguinte não acabou. Não irá acabar... nunca. Simplesmente tivemos problemas com a nossa editora; ora, há uns meses atrás, interessaram-se por nós, dizendo coisas bonitas como "terão muita fama e dinheiro", "têm uma excelente capacidade crítica" e a que eu mais gostei, "essas calças ficam-te muito bem". Até aí, excelente. Burocracias, reuniões até às altas horas da manhã, discussões acesas sobre o Prince e o porquê da existência do mesmo... até que conseguimos. Estava tudo a correr bem... até à reunião final com o publicador. Era altura de fazer exigências, de pedirmos, enquanto escritores d'O Dia Seguinte, o que desejávamos realmente. As minhas pernas tremiam e a roupa interior estava mal colocada. O Oneiros foi o primeiro. Tudo o que ele pediu foi um Cuba Libre... silêncio e escuridão. Depois foi o Stormson, que pediu um free-pass vitalício para um grupo de terapia de GMTA (Gajos que Mijam os Ténis Alheios). O licantrope tinha-se perdido em sua casa à procura de roupa interior, acabou por não poder aparecer. Por último, era eu. Estava nervoso, sabia que o meu pedido era arrojado e perigoso. Olhei as caras na reunião, inspirei lenta e calmamente, e proferi "um corta-unhas". Os segundos seguintes foram de choque, admiração, flatulência. o editor ergueu-se tal trovão numa trovoada, tal gigante acordado, tal pepino amadurecido e vociferou"nunca! Antes a morte!". As vozes aumentaram na confusão. Mangas foram arregaçadas, em braços prontos para violência. Café foi entornado por cima da mesa, cobrindo a papelada já preenchida. Voltei a repetir "um corta-unhas! Ou acabamos aqui o contrato!". Um dos representantes da editora abriu a janela do 8º andar, empoleirou-se e saltou, gritando pelo caminho "nunca me irão apanhar com os diamantes!". Virei as costas, juntamente com os outros membros d'O Dia Seguinte, e caminhámos de cabeça erguida. Ao abrirmos a porta, estava lá o Licantrope com um barril à volta dele "desculpem o atraso, não encontrei o meu fio dental". E assim foi o que aconteceu.
Mesmo assim, poderia recorrer à "desculpa do escritor". Não tenho inspiração. Estou com uma branca. Pessoalmente, acho fantástico dar-se esta prioridade aos escritores, são a única profissão que pode usufruir de um "desculpe, hoje não, não tenho inspiração". Imaginemos um médico com um doente a morrer à frente dele e ele "desculpem, não posso operar, estou sem inspiração". Mas afinal, o que é um gajo saber escrever? Mais tarde ou mais cedo, vai ter um branca, um bloqueio, uma "falta de inspiração". Conclusivamente, o dom de escrever é ocasional, uma pessoa é incapaz de controlar o seu dom. Os escritores são tipo X-Men, todos com poderes esquisitos e dificilmente controláveis... Mas não, os outros têm que ter inspiração. Como seria o mundo de hoje se o Newton, em vez de ter tido uma ideia brilhante quando levou com uma maçã na tola, tivesse simplesmente coçado os hermanos e suspirado "Ná. Hoje não dá". Na verdade, estive um pouco a cagar-me para o blog, com frequências e copos não sobra muito tempo para escrever merda.
Sou adepto do vegetanço televisivo, gosto de passar horas a zappar sem ver nada em concreto, só pelo simples prazer do meu cérebro estar quase inactivo e os meus movimentos se limitarem a mover o polegar 1 mlímetro para o lado e 1 milímetro para o outro, enquanto o meu indicador da outra mão escarafuncha a narina apropriada, normalmente a do mesmo lado da mão (mão esquerda, narina esquerda). Quero aproveitar a oportunidade para avisar que anda aí muito boa gente com intrusos nasais. É normal, faz parte do ser humano, mas é ridículo. O borrié retira por completo qualquer seriedade que uma pessoa possa ter. A imagem de um macaco é implacável. Será que os apóstolos teriam seguido Jesus se ele não se tivesse assoado naquela manhã?
JC - Pois será da bondade infinita de Deus meu pai que Barrabás será...
Apóstolo 1 - Ó barbas, desculpa lá interromper, mas espero bem que hoje não haja baile
JC - Meu filho, não percebi o intento da tua...
Apóstolo 2 - Intenta aqui! Vai mas é limpar o cú a urtigas, seu vígaro, se fosses filho de Deus não andavas aí cheio de verdetes no nariz!
(subentenda-se que os apóstolos eram reformados frequentadores da tasca "Na Bifa com o Zé", famosa pelos seus pipis e minis a 30 cêntimos).
Ou o Hitler, a fazer um dos seus acesos discursos, prestes a movimentar massas para a destruição, como seria se alguém lhe tivesse dito do público "MAKAKEN IN DAS NASEN! HAR HAR HAR!"
Bem, voltando à televisão, há 2 programas que eu acho que deviam ser removidos por completo da minha vida, que eu adorava que não existissem e seria muito mais feliz sem eles; o primeiro, claro, é os Morangos com Açúcar.... Ok, por onde hei-de começar? Pelos péssimos actores? Pelos maus exemplos que oferecem ao público alvo? Por embrutecer por completo o cérebro com histórias surreais de telenovela? Não. Pelas gajas. A actriz-tipo do MCA tem 25 anos, acabou o 12º ano e foi para o conservatório, onde foi expulsa por assédio. Mais tarde, ela consegue trabalhar nos MCA a emprestar o corpo aos produtores, onde se faz passar por uma miuda de 17 anos que é tão vazia como... qualquer coisa realmente vazia (desculpem, com esta do "vazio" aqui e "vazio" ali lixei-me e não me lembro de melhor). Mas são elas que fazem os Morangos com Açúcar continuar, pois o target market são gajos de 18 anos (hormonas ambulantes). Façam os cálculos. Por outro lado, a produção não tem que se preocupar com o lado feminino porque, afinal de contas, as mulheres estão geneticamente preparadas a ver telenovelas.
Cena típica do MCA (Tozé, um rapaz de 17 anos, cabelo puxado para a frente, que faz surf e é homossexual, embora já tenha namorado com a Ana e com a Maria... Entra a Cátia)
Cátia - tipo, o que é que estás aqui a fazer... Tozé?
Tozé - Olá... Cátia. Estou aqui porque sim, porque não posso estar ali.
Cátia (ri-se e despe-se) - és tão parvo. Olha, já que gostas de homens, vou-me despir à tua frente, tipo ok?
Tozé - Pode ser. Mas tenho que te avisar que o Cajó e o Luís andam à procura da Vanessa para lhe darem as cenas do Pedro.
Cátia (veste-se rapidamente) - eh pá... isso é que...não, Tozé. Temos que os parar antes que seja tarde de... mais.
(fade-out, a imagem muda para mais uma gaja boa num bar só para pessoas bonitas, entra uma música rock-pop foleira tipo Sheryl Crow) De certa forma invejo este pessoal, na idade deles não ganhava rios de dinheiro por ter uma banda gay e cantar música de pitas (DZRT rulam, wEeE. AdOwU VuS MuiTuh). Para mais informações, ouvir Jaimão. E sim, eu tenho consciência que é cliché acusar os DZRT de serem homossexuais mas, foda-se... já os viram bem?
O segundo programa é o CSI. Irrita-me profundamente. E o facto de toda a gente gostar ainda me irrita mais, porque o CSI não traz absolutamente NADA de novo a milhares de séries americanas. Aliás, os americanos sofrem da "Trilogia da TV", que é o que chamo ao grupo de programas que são TODOS iguais. São os três os médicos, onde há sempre pessoas a entrarem no hospital de maca agarradas ao peito, médicos a chorarem e outros a comerem-se nos quartos; os advogados, normalmente uma companhia de advogados que sofre de problemas internos porque a melhor advogada que eles têm é uma ninfomaníaca e vive com um cacto enfiado no esfíncter e claro, os polícias. Estes sim, já foram moídos, remoídos, mastigados e deitados fora. O CSI é exemplo disso. Aqui vai um exemplo: um gajo foi encontrado enforcado num semáforo. Chega a equipa. O primeiro saca do cotonete e enfia-o no seu próprio rabo. Dá um guincho. "Hum. Pela acústica deste local eu diria que passou um carro por aqui há 20 minutos. Era um Chevrolet. Rápido, tu, preto de olhos claros que está sempre com cara de quem quer ir cagar, telefona para o armazém na zona mais degradada da cidade e avisa-os que vamos para lá para a cena final de tiroteio".
Bem, acho que já me estiquei o suficiente.

domingo, janeiro 01, 2006

Nothing Changes On New Year's Day

Aaaaah! O primeiro dia do ano! Mais um ano que passou.
E eu de ressaca; será que isso quererá dizer algo? Que iniciar este período de 365 dias de ressaca ir-se-á revelar mau agoiro? E se eu estivesse a ajudar velhinhas solitárias a tratarem dos gatos, o ano seria melhor? Duvido muito, e sinceramente, não estou em condições físicas para permitir ao meu cérebro um pensamento assim... Quer-se dizer... a ver vamos (esta parte seguinte do post é de importância diminuta).

Mas, contando que o caro leitor não acredita que o que se faz no primeiro dia do ano terá repercussões nos dias futuros, tendo uma atitude igual num outro dia qualquer irá mudar os dias que se seguem ao mesmo? Isto é, no dia 14 de Junho ajudo uma velhinha a atravessar a estrada, será que me sentirei melhor o resto do ano? E se dia 20 de Junho eu chamo um nome a uma pessoa qualquer por cheirar mal, será que a minha boa acção prévia é anulada por esta nova? Então e se eu dia 25 de Junho eu atropelar a velhinha que ajudei 11 dias atrás? Não estaria a fazer nada de muito errado, porque se não fosse a minha intervenção dia 14 ela poderia estar morta. Com os 11 dias extras de vida que recebeu, pode ter feito algo importante.
No caso de ela, de facto, ter feito algo considerável. É realmente assim tão relevante ela ter inventado o descascador de bananas a energia solar que toca a banda sonora do Gone With the Wind enquanto descasca? Porque, se é algo tão importante, ela nem terá tempo para gozar a sua descoberta, a sua glória e o seu triunfo, pois alguns dias depois ela estará a ser atropelada pelo meu carro. E assim, quando eu for apanhado, serei julgado com atropelamento, fuga, e assassinato de Adelaide, a mulher que inventou o descascador de bananas a energia solar.
Então e se a Adelaide me andasse a querer matar há 4 anos porque eu passei-lhe à frente na fila do supermercado? Não estaria aí a recompensar a maldade com justiça, que por sua vez resulta de um acto de bondade inter-ligado com uma tentativa de assassínio a priorística que poderia ter evitado que eu a ajudasse e, mais tarde, a atropelar-se? Então e se minha porta de casa fosse da mesma cor da parede eu ainda estaria a tentar abri-la? É provável. E se eu pegar numa arrastadeira, pintá-la de preto e dizer que ela vem da Amadora posso chamar-lhe Arrastão? Ou se eu violar uma vassoura e for apanhado posso desculpar-me a dizer que "é tudo em nome das pás"?

A ressaca é um estado fantástico Fernado Pessoa escreveu "Não sei o que faça, não sei o que pense, o frio não passa e o tédio é imenso"; decerto referia-se a uma das suas ressacas de absinto. Ha! "absinto é a bebida dos poetas". Tentem beber um copito de absinto e escrever um poema a seguir. Eu já tentei, e o máximo que consegui foi vestir-me de preto e tirar fotografias a preto e branco de tudo o que via, que mais tarde resultou num site da DeviantArt.
Não, não quero ser fanfarrão "bebi muito, já tenho idade para beber, etc". Aliás, estou deveras arrependido de ter bebido tanto. Hoje teria bebido menos, sou uma pessoa mudada... Sinto a boca seca, o intestino parece um poodle hiperactivo e tenho as veias cerebrais a palpitarem. Para piorar, tenho qualquer coisa no dente e não sei bem como tirá-la. Mas pronto, queria apenas sentir uma estúpida realização pessoal de ser o primeiro a escrever n' O Dia Seguinte este ano, já que é dia 1. Tenho sono. Vou dormir.
L'Horreur... arrêter... crimer... les gens... l'Horreur...

sábado, novembro 05, 2005

Acho que bebi demasiado ontem à noite e hoje acordei e necessito de regurgitar palavras randómicas...

E é isso mesmo que este post vai ser. Ao contrário do que se poderia pensar, não tenho nenhum tema que queira expôr ou falar sobre, não tenho nenhumj evento que me tenha suscitado uma ideia para um post pseudo-engraçado... simplesmente apetece-me regurgitar palavras ao acaso a ver se faz algum sentido e vocês é que vão ter de lidar com isso... eheheh

Vejamos por onde começar?... Já sei, vou abrir o dicionário numa qualquer página, procurar a primeira palavra engraçada que encontrar e decompô-la para o deleite da audiência que são vocês... vejamos, a palavra escolhida é:

morigerado adj. 1 que tem bons costumes; 2 moderado (do lat. morigerãtu-, «dócil», part. pass. de morigerãre, por morigerãri, «condescender»)

Well, fuck me... que raio de palavra sem mais interesse que me foi calhar... como posso fazer piadas inteligentes com uma palavra como esta... morigerado??? A seguir vão dizer o quê? "O Oneiros até escreve bem, mas é pouco morigerado e mostra uma grande falta de deferência para com a integridade física e moral dos seus leitores"? Jeeeeeeezzz... não me podia ter calhado uma palavra com interesse como cona ou caralho, ou mesmo foda... não... tinha de ser morigerado... such is my lot in life, como diria o outro... bem o meu momento all-bran físico chegou e tenho de ir sentar-me no trono... já volto para proseguir com o meu momento all-bran línguistico... e que péssima associação de palavras foi este comentário do momento all-bran línguistico... maldita imagem que me ficou na cabeça a envolver fibras defecadas e línguas... já venho então...

Estou de volta... já sinto a minha tripa mais morigerada... então? Já conseguiram remover das vossas mentes pueris aquela imagem com que vos deixei? Ainda bem que não... eheheheh

Para o diabo com a morigeração, estou absolutamente enfastiado com a palavra e com este post... isto não se revelou tão lúdico como parecia, e culpo-vos a você... são uma péssima audiência. Vou ler... :P

domingo, outubro 23, 2005

Madre 13 de Calcutá

Recentemente, pus-me a pensar, algo deveras raro mas que, admito, é agradável, descobrem-se coisas giras. O tema era simples. Trabalho. Qual será o pior trabalho na nossa sociedade? Até à data, pensava que seria o ginecologista; Ok, o macho gosta muito de ter acesso às partes privadas da mulher, mas pensam o quê? Que só fariam consultas à Equipa Brasileira de Futebol Feminina? Desenganem-se. Nada mais desmotivante do que a Sra. Eulália, de 74 anos, habitante em Odivelas, chegar ao consultório e dizer "Tenho um alto a criar-se lá em baixo, e como não sabia o que era não me lavei nestas últimas 3 semanas" ou até "O que é que eu faço com este líquido castanho? Cheire lá para ver se sabe o que é. Ah desculpe Doutor, sujei-lhe a cara".

Continuando, pensei mais um pouco... já começou a doer. O próximo é ser educador de infância. Acho que o meu inferno pessoal é repleto de criancinhas a chorarem e a pedirem para irem à "casinha" porque se borraram todas. Esta profissão merece todo o meu respeito, seria incapaz de a praticar durante 10 minutos. Aos 15 já estaria a pôr soníferos nos pacotinhos de leite. Nunca estranharam os putos não estarem com aquela electricidade irritante que os caracteriza quando saem do infantário? Pois, é natural, estão sob o efeito de drogas "Então Luisinho, como foi hoje?" "ehehe...a relva cheira a baton...sou o rei lagarto, mãe".

Bem, odiava ser farmacêutico. Eles devem ter uma preparação similar aos actores de teatro; se se riem, lixam tudo. Como é que eles nem esboçam um sorriso com alguns pedidos que as pessoas fazem? "boa tarde, é um tubo de Hemorroidex". Mas eles lá conseguem pôr um ar compreensivo, como se sangrassem dos entrefolhos todos os dias, e gentilmente pedem a receita médica. O farmacêutico é um ser esquisito, superior ao regular humano; o regular humano rir-se-ia na cara do comprador de Hemorroidex, ou diria algo como "sempre pode fazer cabidela e não tem que comprar o sangue". Eles não. Eles subiram um degrau na evolução. Aproveito para introduzir um pequeno tópico de história; os farmacêuticos surgiram em 1941 na Alemanha, quando Hitler queria dar um empurrão à venda de medicação nacional. Para isso eram necessárias pessoas sérias, que não se desmanchassem a rir. Essas pessoas, escolhidas a dedo pelo próprio Fuhrer, eram membros dos mais altos postos hierárquicos da Gestapo. Assim, a 4 de Setembro de 1941, Hitler foi a público e disse "Das Farmaceutiken in das Farmacien venderen das comprimiden e pomaden. Heil". Hoje em dia, os farmacêuticos têm todos uma formação nacional-socialista antes de irem para trás dos balcões. Por isso, se fizerem uma saudação romana a um, ele irá retribuir....

Passando ao último emprego do dia... o que eu acho o pior, o mais degradante, o mais desconfortável. É o homenzinho-da-mota-que-anda-pelos-passeios-a-aspirar-merda. Alguns de nós já o devem ter visto, sempre na sua mota, a andar por aí a aspirar merda nos passeios (bla bla bla). Ora, esses hdmqappaam (para não ter que escrever homenzinho-da-mota-que -anda-pelos-passeios-a-aspirar-merda) são algo de abominável. O objectivo da merda é ser repugnada e enojar os transeuntes. Ora, eles não só a capturam, como a sugam rapidamente para os seus recipientes, e fazem-no várias vezes. E não basta andarem a recolher merda, têm que andar de mota, para dar mais nas vistas. Eles sempre podiam ter um daqueles aspiradores portáteis, chegavam ao pé de uma bosta, fingiam deixar cair uma moeda e, quando se baixavam, aspiravam a dita bosta, levantando-se logo de seguida a assobiar alegremente. Mas não. Andam de mota. Pelos passeios. Para a humilhação ser total, só faltava estarem vestidos de cor-de-rosa. Imaginem a família desses hdmqappaam. "Ahahaha! Vi o teu pai a aspirar merda na rua" "Mentira, já te disse que o meu pai é travesti!" "Ah então pronto, não é tão mau como ser um homenzinho-da-mota-que -anda-pelos-passeios-a-aspirar-merda".
Moral da história: se o emprego implicar entrar em contacto com fezes e coisas dessas, mais vale ir vender couves para o mercado. Embora eu não goste de couves. Bem como grande parte dos vegetais. Há qualquer coisa que me repugna nas verduras. Questiono-me o que se passou na cabeça do gajo que inventou a sopa. "Estou tão entediado, vou meter plantas em água quente e esperar que se transformem numa papa disforme". Nem quero pensar como é que descobriram a maneira correcta de ordenhar as vacas...

quarta-feira, setembro 28, 2005

Tive um aneurisma bloguísico...

É verdade... não sei para onde fugiu aquela fagulha divina que me alimentava a inspiração para blogs tão (des)interessantes a que habituei o infrequente, irregular, escasso MAS existente leitor...
Por esse motivo e até encontrar novas inspirações não coloco/colocarei novas alavirdades pseudo-linguísticas (que já não tenho certeza de usar português ou qualquer outra língua humana neste blog) neste nosso (o escritor politicamente correcto escreveria nosso/vosso, mas sinceramente estou-me a cagar para vocês sanguessugas intelectuais) espaço.
Numa novidade inédita (eu SEI que é um pleonasmo (sim está bem escrito)) hoje adquiri uma nova certeza: realmente não gosto de futebol.

Achei que deviam saber...

(este blog foi realmente interessante em termos de parêntises... acho que nunca tinha usado tantos conjuntos em tão pouco texto...)

sexta-feira, setembro 16, 2005

Whisky e Chocapic

Consegui uma autorização do Sr. Oneiros para escrever um post. Mas, enquanto escrevo, gotas frias de suor passeiam na minha face, com receio de alguma palavra proibida sair. Vou aproveitar o post para um pouco de História da humanidade. No início, não era suposto haver só um deus, "O" deus, mas sim dois. Um deles era Oneiros. Ora, deus, com a sua vontade de divina de começar a criar o ser humano, pôs mãos ao trabalho. Enquanto no primeiro e segundo dia ele criava as montanhas e florestas e essas tretas bonitas, o Oneiros bebia gin numa tasca. No terceiro dia, deus atulhado em trabalho, Oneiros estava de ressaca. Irritado, o ser divino foi falar com Oneiros "Desculpa lá, não quero incomodar a ressaca do Sr. Oneiros, MAS PODIAS LEVANTAR O CU DA CAMA?!". Oneiros virou-se para outro lado e balbuciou "dá-me silêncio e escuridão". Deus passou o terceiro dia deprimido. Ao quarto dia, Oneiros levantou-se com novo ar, um ar refeito. Era ar de quem queria beber minis... que se arrastou até ao sexto dia. Sempre que deus tentava encorajar Oneiros a levantar-se da cama e curar a ressaca, a resposta era sempre "dá-me silêncio e escuridão". Ao sétimo dia, com o mundo já criado, deus proclamou o seu castigo "Tu, infiel da vontade divina, terás o que pediste!" Oneiros olhou, espantado, e retorquiu "putas e vinho verde?". Houve um momento de silêncio "Errr...não... Terás todo o silêncio enquanto sóbrio, pois assim eu digo; e vestir-te-ás sempre de preto, assim eu comando". "Isso é giro, mas..." "MAS NADA! CONDENO-TE AO TEU SILÊNCIO E ESCURIDÃO".
Assim, ao longo dos tempos, Oneiros é um ser divino que representa o silêncio e escuridão; há um ditado, em Swahili, que reza "Marakuté Djimbalalá" que, traduzido para português, significa "Oneiros é aquele que se veste de preto e tem mau feito, por isso é melhor não contar piadas a Oneiros, porque ele tem mau feitio, e veste-se de preto. Não que haja relação, mas são duas coisas distintas, o feitio e a indumentária". Por isso, a ti, Oneiros, te digo: MANOWAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR
O post que eu estava a escrever foi momentaneamante interrompido, voltarei a ele mais tarde.


P.S. Jingle Uer, Jingle Uer, Jingle all the Uer

terça-feira, setembro 13, 2005

Once more into the trenches dear friends...

... que é como quem diz: "Puta que pariu mais às putas das férias que terminaram!!!"

Pois é, mais um Verão que se passou... este passei-o de férias à grande para variar, mas isso agora não interessa nada (como dizia essa grande besta da comunicação da Teresa Guilherme).

O que interessa é que no outro dia estava eu a passear no Rossio e veio um ornitorrinco alado, usando um daqueles chapéus de papel das festas de anos dos putos (tenho de arranjar um pra mim), uma t-shirt amarela com um smiley a dizer "Shit Happens!..." e uma pasta de cabedal debaixo do braço e disse-me "Olha lá oh Oneiros! Tu, com todo o respeito que me mereces, vais-me desculpar mas és uma puta finalista!"

Foi aí... foi nesse momento que tive uma epifania! E berrei bem alto a plenos pulmões (alcatroados) "MEUS DEUSES!!! POIS SOU!!!!!". Nesse momento apercebi-me que me faltam uns meses para fazer a pior das mudanças de carreira... vou deixar de ser estudante (profissional)!! Pensei "não pode ser... isto é muito desajustado! Então passa uma pessoa 23 anos a treinar e aprender, para agora que se está a começar a ser um bom estudante, ter de mudar de carreira? Nãããã! Acho que está na altura de mudar de curso outra vez!"

E aí tive outra epifania, esta sim de maior interesse e relevância para o leitor: "Espera... já fiz isso uma vez... se repito a graça, se calhar os poderes vigentes não vão achar tanta piada como da primeira vez... é melhor deixar-me estar como estou..."

E o que é que isto interessa ao leitor? Provavelmente nada, mas como não postava à muito tempo decidi-me por esta pequena posta de pescada, que pode ser que ganhe ânimo para mais uns posts para breve... ou então não...

De qualquer forma como sei lá... 70% dos leitores do blog são pessoas que não sabem quando parar com uma piada, aqui fica a lição de moral que tirei destas epifanias: "Uma piada perde a graça quando repetida, e eventualmente pode ter consequências fatais para o brincalhão", por isso convençam-se: o "MANOWAAAAAAAAARRRRR", o "Uer" e outros que tais NÃO TÊM PIADA!!! Pode ser que um dia acordem com os testículos dentro de um frasco cheio de fermol, na mesinha de cabeceira, rotulado "MANOWARRRRRRRR"... pode ser que não...

Um grande bem haja à Isabel Figueiras, e muito obrigado por posares em trajes menores... a humanidade agradece, e (pela minha parte, pelo menos) os Deuses também...

sábado, setembro 03, 2005

E digo-te mais....Mais!

eu ia escrever um post, mas pensei melhor e nem por isso. vou só citar uma frase do meu professor de Filosofia do secundário; estávamos a dar a Lógica, esse assunto tão problemático como confuso, quando, após uma série de exemplos inconclusivos, a chuva que nos assustava no exterior parou e, por momentos, enquanto aquele saguim bloquista abria a boca e falava, o tempo parou, o Sol raiou uma vez mais naquela triste e leda sala, tal Primavera nascida. As palavras ecoaram pela sala, pelo meu espírito, por todo o mundo. Ele terminou a frase, olhámos uns para os outros comovidos, e repetimos todos aquela frase que mudou a nossa vida... "se a minha avó tivesse rodas, era uma bicicleta"

quarta-feira, agosto 31, 2005

Blame it on the Boogie (MJ) - sim, é o Boogie que te faz gostar de criancinhas

Deus, quando se lembrou de criar a "constipação", devia estar sob o efeito de ácidos, só uma pessoa muito alterada é que se lembraria de pôr coisas verdes a sair do nariz consntantemente. Por isso, além de relativamente medicado, passei o dia todo na cama a rever filmes. Apercebi-me, então, qual a razão do ser humano não gostar de se levantar (de manhã, à noite, whatever); é a fase do "sentar". Ora, se eu estiver sentado num sofá. levanto-me facilmente, porque já estou sentado e não tenho que passar para essa fase, constando que já me encontro sentado. Agora, se eu estiver deitado, é totalmente diferente. Não só tenho que me levantar, como tenho que me sentar primeiro, para depois adoptar a posição bípede que caracteriza os seres humanos (entre outras coisas, como os ancinhos).
De sofá para o chão, é só colocar o peso sobre as pernas, dar um impulsuzito, e já está. Agora, quando estamos deitados, é muito mais complexo. Experimentei várias maneiras, mas é quse impossivel não passar pelo terrível "sentar". Há dois métodos adequados para quem não se quiser sentar; um, enquanto deitados, viramo-nos de costas e deslizamos de pernas esticadas para fora da cama, mas apenas aterraremos em pé se for num beliche, caso contrário é difícil adoptar a posição final sem passar por algum esforço similar ao "sentar". A outra inicia-se de barriga para cima, e tem como passo principal fazer a ponte. Após estar na posição de ponte, desliza-se para a frente, e assim que os pés tocarem no chão basta projectarmo-nos para o exterior.
A questão não é o levantar, é não querer sentar. Quando me disserem que passo muito tempo a deitado a ver televisão, a resposta é "simplesmente não me quero sentar". Já dizia Ponteirus, antigo filósofo romano, "In cama sentae quid levantus querent". Ou seja, quem se quer levantar, na cama se irá sentar.
Já Jesus, em palha deitado ou palha estendido, percepcionou a grande antítese humana, o "passar do deitado para o levantado sem o sentar". Uma pessoa que se queira levantar, estando no sofá, simplesmente tem que se erguer. Se estiver deitada, terá que se sentar, e só depois de se sentar poderá estar erguida. De resto, para agravar a minha situação, o Rod Stewart existe. Acho que não mereço isso, é a mesma coisa que fazer caretas a um cego. Estava eu ali tão bem a zappar, quando me surge o Rod Stewart. O comando não muda, o tempo pára. O meu coração acelera. Por momentos, vejo a minha vida a passar-me pelos olhos. Até que finalmente consigo mudar. Logo a seguir, tive que passar pelo processo de me levantar.
E pensar que há uma semana atrás estava numa esplanada a beber minis no alto alentejo. Quase que ia continuar a escrever, mas vou parar. Por isso mais vale pararem de ler, não vão aprender nada a partir de agora. Really. Isto é uma inutilidade, estou só a alargar um pouco o meu post porque olhem, sei lá, é naquela. Já referi que não gosto de Rod Stewart? Ah, ok.

quarta-feira, julho 27, 2005

Nick nack paddywack, give the dog a bone, this old man came rolling home

Quero desde já agradecer ao Stormson o mau gosto que teve na escolha da imagem a colocar no seu post anterior, e acho que falo em nome de todos quando digo "foda-se".
Hoje vou contar a verdadeira história de Jesus Cristo. Passei muitas horas a fazer pesquisa, noites em branco, fechado num quarot escuro a recolher informação. Mitos e lendas surgem em torno de um homem que, vendo bem, não era diferente do comum mortal. Finalmente consegui reunir os dados necessários para fazer uma biografia justa.
Em 33 AC ele nasceu numa manjedoura e desenvolveu uma terrível febre dos fenos e inúmeras infecções cutâneas produtoras de glândulas alienígenas que o faziam cheirar a suor de vaca. Quando ele tinha 10 anos, em 23 AC, reparou no calendário que estava no frigorífico e perguntou à sua mãe "olha lá, o que é esta merda? Então vou morrer daqui a 23 anos e não posso fazer nada por isso?!" Saiu a correr de casa e esqueceu-se do desodorizante, infestando as redondezas com o seu terrível odor.
Triste e angustiado, deitou-se debaixo de uma árvore e, do nada, surge uma figura feminina "serviço completo é um carneiro. Coisas mais esquisitas pagas a galinhas" disse a figura, tentando manter os olhos abertos e a baba dentro da boca. Uma seringa pendia do seu braço direito, que ela tirou com um "ah, ups...errr... é insulina". Jesus estava espantado com a beleza da mulher e perguntou o nome..."Madalena. Mas os meus amigos chamam-me Maçaneta". "Maçaneta porquê, senhora?" "Porque toda a gente agarra e dá uma volta". Jesus, não querendo ficar atrás, deu também uma voltita, embora ela tivesse a dormir durante todo o processo. Mas ele queria mais. Já que ia morrer tão cedo, ao menos que a sua existência fosse feliz. Começou a trabalhar numa carpintaria a fazer penicos, onde todo o dinheiro ia para o álcool, prostitutas, droga e Monopoly. Desleixou-se, e deixou crescer a barba e o cabelo; nada o agarrava à vida como a borga.
Um dia, um Bar Gay numa esquina de Nazaré, chamado "Horny jews", precisou de um arranjo no palco onde os strippers dançavam e os romanos aplaudiam. Jesus tinha sempre uma garrafa de whisky no bolso, e nesta manhã já tinha "provado" demais da garrafa. Quando descobriu que ia arranjar o palco e se apanhou sozinho, agarrou-se ao poste e começou a dançar como nunca ninguém tinha dançado, com uma graciosidade extrema, a desenhar sensualmente os seus movimentos. A ver isto, estava Judas, o dono do bar, apreciador de rapazinhos como Jesus. Rapidamente o tentou convencer a trabalhar para ele.
- como te chamas?
Jesus pausa um pouco a sua dança, olha em volta e saca da carteira, olhando atentamente para a carta de condução para se certificar do nome.
- Jesus Cristo, acho que é isto o meu nome.
- Ah Jesus, trabalha para mim. Serás bem pago, terás todas as mulheres, todo o vinho. Chamar-te-ás Barbudo Tesudo a partir de agora. E já agora... como é que é?
Jesus abre os braços, esticando-os ao máximo.
- É mais ou menos assim.
E foi esta imagem que foi capturada por um papparazzi e que inspirou a estátua do Cristo-Rei.
Os mese passavam e Jesus fez fama. Tanto que até fundaram um clube de fãs, Os Apóstolos. Ele já era tão conhecido que já ninguém se importava com o seu cheiro a vaca que fez a maratona.
Uma noite, Judas entrou no camarote do Barbudo Tesudo enquanto este punha o rimel para a sua actuação. Após algumas conversas superficiais, Judas confessou ter por ele uma enorme atracção "Inchaqui Salad", ou, correctamente traduzido "anda cá meu pequenote, vou-te mostrar as estrelas com a minha luneta".
Aterrorizado, Jesus fugiu e foi ter a um esquisito local... um ringue de boxe. Nos próximos anos, Jesus tentou de tudo; foi Jesus "El Carpintero" Cristo no ringue, JC and the Buzinas Flatulentas, a primeira banda de hip-hop e Juca, dono de uma taberna mal frequentada. Entretanto, numa das suas noites de álcool e boémia, perdeu-se no deserto com o seu clube de fãs, os Apóstolos. Quando acordou, meio assado, meio dorido e a outra metade meia ressacada. Decidiu parar num restaurante pa comer qualquer coisa com o seu clube de fans. Por azar, foi parar a um estabelecimento cujo dono era Judas. Assim que ele entrou e viu Judas gritou de irritação "esta é a última ceia que eu tenho convosco, bando de pardais menstruados!" Jesus andava a passar uma fase muito perturbada da sua vida; já só tinha um ano de vida e tinha ataques de raiva constantes, tendo sido ele o primeiro a desenvolver o sindroma de Tourette. Uma noite, enquanto passeava pela cidade, deparou-se com uma guarda que lhe perguntou as horas:
- Quod horas sunt?
- o que é que chamaste à minha mãe! AH SEU HEREGE! MALDITO IMBECIL!
O guarda irritou-se e prendeu-o. Entretanto, quando ele estava prestes a ser liberto, surge um guarda com uma bacia para ele se lavar, processo normal nos prisioneiros que brevemente são livres. Jesus respondeu
- Uma bacia?! Ó tanso, Lava-me aqui as mãos! já agora a pila e os tomates!
Um outro guarda, que tinha problemas de audição, percebeu "lavo as mãos por Pilatos". Jesus acabou por ser chicoteado por ter uma irritante mosca nas costas que não conseguia agarrar. No dia seguinte, surge um empresário na sua cela, vestido com um fato branco, gravata rosa e camisa verde.
- O meu nome é John Custódio. Posso-te tirar daqui se amanhã fizeres um espetáculo de strip ao vivo num palco emprovisado e acabares o número a fazer de homem-estátua.
E assim foi. Jesus dançou à volta de um "stripper pole" improvisado em forma de "T", e acabou com grandes aplausos, com o seu número de homem estátua. Quando estava a fazer uma vénia a agradecer ao público, torceu o dedo mendinho do pé esquerdo, caiu ao chão e bateu com a cabeça numa pedra. Ficou inconsciente e, quando recuperou, levantou-se e deu com a cabeça na cruz, morrendo instantaneamente. Daí ele ter "morrido na cruz".

Le Fin

sábado, julho 16, 2005

Bolhinhas e tacos de Críquet.

Como vou para férias e vou estar uns tempos sem colocar mais nenhum post por aqui, isso e a falta de sono aliada a uma forte dor no dedo mindinho do pé esquerdo, decidi brindar o leitor com mais umas pérolas literárias jorradas em catadupas da minha mente distorcida e perversa...

Segundo consta, os autores dos atentados em Londres eram nada mais nada menos do que rapazes de idades muito jovens com gosto pelo criquet e também por tomar conta de criancinhas...Ora meus amigos eu desenvolvi uma teoria que pode ser bastante útil aos serviços secretos britânicos, senão contemplem: Quem mais é que nós conhecemos que gosta de pegar no taco e tomar conta de criancinhas??? Sim, exactamente... Nada mais nada menos do que o auto-proclamado Rei da Pop , Michael Jackson(segundo o dicionário "Pop" deriva do barulho que o chamado pirilau faz ao sair do xamado rabo, vulgo caralho e cú... por isso o nosso amigo Michael é conotado como o Rei da Pop, ou seja, o Rei do Nabo a desencavar do Cú) estará por trás destes recentes atentados, sendo o tal "cérebro" que as autoridades dizem ainda estar a monte.

Isto faz perfeitamente sentido, senão vejamos, os atentados ocorreram dias depois de Michael ser ilibado... depois temos os pormenores das criancinhas e do criquet, Helloooo querem melhor perfil de subordinado do Michael que esse?? Depois é a questão do cérebro...sim pois essa será a unica parte funcional do rapaz, ainda que completamente atrofiado e deixado quase ao descoberto. Mas ainda há mais segundo me parece Michael não será o unico Mastermind por trás disto, não senhor... Há também um segundo personagem que é nada mais nada menos do que o macaco Bubbles (Bolhinhas)...sim esse é o grande e aterrador facto de toda esta história, que faz parte de um grande e imenso plano de erradicar toda a humanidade deste planeta... deixando apenas os negros, muçulmanos e ucranianos como bestas de carga e onde os macacos reinariam supremos, com Michael Jackson no lugar de Re...Rai....erm.....soberano das criancinhas e personal bitch de Bolhinhas. Cuidado meus amigos.
Tenho dito, chiça!

Futurologia em fasé pré-férias.



Já lá vai algum tempo desde a última vez que escrevi algo neste blog, por isso este post é uma espécie de "regresso do filho pródigo" da minha parte... Tendo isso em mente gostaria de fazer uma espécie de prospecção no futuro vulgo futurologia (para os leitores com síndrome de Down, ou para aqueles que são simplesmente burros), a previsão que eu gostaria de deixar desta vez, e desafiando a omnisciência do magnânimo Oneiros meu confrade, é uma previsão do aspecto futuro da bem conhecida Paris Hilton, depois de todo este sucesso e após uma tourneé bem sucedida pelo mundo inteiro onde a nossa querida Paris faria um espectaculo repleto de pirotecnía, lubrificante, um Grandanoir, e um berbequim com um dildo na ponta...

Mas como "girls will be girls", frase tornada conhecida pelo famoso Butch MacDick, a nossa menina rebelde e traquina Paris continuará a fazer sessões de pornografia e exibicionismo com os seus namorados que continuará por sua vez a fazer furor nos meandros da internet. Na sua longa lista de namorados constarão nomes incrivelmente sonantes, tais como o notório Zé dos Plástico, o carteiro Severino (na altura estará como lambedor de selos oficial nos serviços postais de Carrazeda de Anciães), o mecânico Marcolino e ainda o famoso bombeiro de 1,92m e 98 Kg's, Paulinho das Azenhas, que por sua vez estará no regimento de sapadores bombeiros de Deocriste onde no cumprimento do dever (apagar um fogareiro da patuscada anual do regimento), acabará por queimar o interior do umbigo após se inclinar para apanhar uma brasa do carvão que tinha caído, razão pela qual o seu relacionamento com Paris iria terminar. Actualmente a menina namora com um milionário *coff*dinheirinho-do-papá*coff* grego... Será então mais do que lógico que o leitor tenha exactamente a reacção do grego ao ver o aspecto da nossa bela e sensual menina depois de anos e anos de sexo inseguro e comportamentos de risco, onde nos mesmo se inclui fazer paraquedísmo sem cinto de castidade e também lutar wrestling com ursos pardos...

Aqui mostro uma foto tirada pelo namorado da época, o infâme Manuel João Viera vocalista da famigerada banda portuguesa, Ena pà 2000... Tenho dito, caralho!

segunda-feira, julho 11, 2005

Resultado de uma mente perturbada pelo cansaço e saturação laboral. Ao menos não são gases

- Boa tarde, é aqui o Tasca do Ti Zé?
- é sim senhor jovem.
Enquanto falava com o jovem, o Ti Zé ia oscilando de tomate em tomate para coçar.
- Ah, é que um amigo meu disse-me para vir ter com ele aqui, chama-se Carla.
- Claro claro! Grande rapaz que o Carla é! Conheço-o desde que ele era do meu tamanho.
Houve um momento de silêncio... o jovem quebrou-o.
- então olhe, quando ele chegar, aponte a minha mesa. Entretanto leve-me uns tremoços e um champagnezito. Pode ser um Chatêau Neuf du Pap de 68, se faz favor.
- Tremoços tudo bem, agora champagne está complicado. Só temos Cordon Rouge seco ou Pinot Noir.
- Então leve-me só os tremoços.
- Está feito!
O jovem sentou-se à espera do seu amigo. Imagens invadiram-lhe o cérebro, reminiscências do passado... ele e o Carla a andarem de bicicleta, a primeira menstruação do Carla... bons tempos. E assim ele passeou pelas memórias, enquanto comia uns tremoços de Mirandela (http://www.geocities.com/afatres/mirandela/tremocos.htm). Uma figura surgiu pela porta... aquelas curvas que ele conhecia, seios fartos e ancas estreitas. Uns lábios finos, cabelo como água a escorrer pelos ombros. O jovem levantou-se, deu um forte abraço ao seu amigo de infância, dando-lhe de seguida uma palmada no rabo e apalpou-lhe o peito.
- Ó migo Carla, estás com uns músculos! Já não te via há anos!
- Olha - disse Carla com um ar sério - temos que falar.
- Claro! Mas passa-se alguma coisa? Problemas com a velhota lá em casa?
Sentaram-se os dois em silêncio. Carla falou.
- Não sei como te hei-de explicar isto, por isso vou directa ao assunto. Eu sou uma mulher! E tu sabes disso! Há anos que tu e o Ti Zé fingem que eu sou um homem só para me apalparem e tocarem!
- Ó Carla, não sejas parvo! Olha-me este!
Carla levantou o top e exibiu-se.
- Eh lá! Isso está inflamado rapaz! Vê se vais ao médico!
Neste momento, entrou um homem sujo, t-shirt de alças, pêlo das costas a transbordar pelos buracos. Calças sujas de tinta, bigode farto a cobrir o lábio de cima
- Sô Zé, é uma fresquinha, se faz favor!
- Senhora Mário, tão bonita que está hoje. Fez alguma coisa à pele? Está tão macia e lisa - o Ti Zé passou a mão pela cara da Sra. Mário...
Entretanto, no outro lado da rua, no supermercado local, uma lagosta discutia com a pizza Marco Bellini quatro estações a existência da matéria enquanto ideia que partilha de uma série de conceitos, não algo igual em todas as realidades pessoais. O assunto ficou resolvido quando um dos douradinhos disse:
- se Camões fosse heterossexual, teria escrito As Damas, e não Os Lusíadas. Parece um pouco roto ou é só impressão minha?
Todos se calaram, à espera que a Sra. Nardinova, ucrâniana dona de um negócio de contrabando de tremoços da Mirandela, pegasse neles para cozinhar para a sua família de 39 na mesma casa.

quarta-feira, julho 06, 2005

"Sou a tua nova amiga, sou a Cátia Beijinhos"

Hoje vou optar por começar o meu devaneio da maneira como milhares de conversas se iniciam por todo o mundo (com as respectivas alterações linguísticas). "No outro dia", marquei encontro com o Oneiros para tomar um café e pôr a conversa em dia. Marcámos a hora e o sítio, e lá estávamos. Iniciámos as nossas longas discussões sobre a iniciação sexual dos babuínos e de que modo eles influenciam o Artigo 23º da Constituição. Entretanto, surge um mendigo no café. Chega ao pé de nós e eu, já estando preparado para um "não tenho", fiquei surpreso com a sua conversa. Começou por se apresentar, dizer que tem dificuldades, as coisas do costume. O homem não tinha assim um aspecto tão mau como podem estar a imaginar neste momento; penteado, barbeado, jeans, camisa... O Oneiros olhava para ele de modo atento, e eu olhava de modo atento para o Oneiros a pensar "porque raio está o Oneiros a olhar para ele de modo atento?". O homem olhou para mim de modo atento e disse "estou a olhar atentamente para ambos, importam-se que eu me sente?". Comecei a procurar uma desculpa o mais rapidamente possível, mas o Oneiros antecipou-se "sente-se Sr. Martins". Mais uma vez, eu estava a olhar atentamente para o Oneiros, enquanto ele olhava atentamente para o Sr. Martins.
- Nasci em 1970 em cima dos jornais de um quiosque. A minha mãe foi-se embora e lá me deixou em cima do Público, tendo eu sido adoptado pelo Sr. Martins, o gajo que estava no quiosque, a quem eu fui buscar o nome. À medida que crescia, desenvolvi uma paixão por Ballet, que nunca concretizei por ter uma perna mais curta do que aquela que é mais comprida, que por sua vez se alonga um pouco mais do que a que é mais curta.
Aqui ele fez uma pausa para olhar para nós; eu tinha-me afastado ligeiramente quando ele falou de ballet, e o Oneiros tinha-se aproximado dele, com uma lágrima a escorrer-lhe pelo rosto, comovido com a história das pernas. Prosseguiu...
- Cresci e tornei-me empregado de Bar num bordel, O "Cotovia Rimbombante". Comecei a ganhar gosto pelo ofício, e decidi fundar uma empresa minha, a "Sopranaflauta Lda." Rapidamente ganhei fortuna, ao descobrir uma mina de ouro: as paragens do autocarro. As senhoras que lá estão são ávidas adeptas de prostituição. Tudo correu bem durante 4 anos, até que fui a uma entrega de prémios de bordéis a nível nacional. Estavam lá representantes de todos os rivais, o "Passarinha e Filho Lda", a família "To- Matoso" e a pior, a minha rival, a "Bajanga da Tia Lda". Estava nervosíssimo quando chegou o final, o grande prémio: Melhor Bordel. Eu ganhei....
O Sr. Martins soluçou comovido, o Oneiros abraçou-se a ele num gesto de carinho e eu olhei para a chávena de café, a pensar profundamente em assuntos que me atormentavam: "se a melancia é vermelha por dentro, porque é que os morangos são vermelhos por dentro E por fora?".
Ele recuperou, puxou do seu lencinho para limpar o muco que jorrava das suas narinas, e continuou.
- mas quando subi ao palco, oh desgraça das desgraças! - o Oneiros interrompeu rapidamente
- Não! Não me diga que estava de braguilha aberta!
- Err... não...tipo...não - O Sr. Martins ficou a olhar atentamente para Oneiros, enquanto eu olhava atentamente para a chávena de café - o que aconteceu foi que, quando subi ao palco, todos se riram das minhas pernas! Todos a apontar e gozar! E eu ali, a sofrer! Chamavam-me coisas horríveis, como "Tu que tens uma perna mais comprida que a outra!" ou "Pernas diferentes!" ou pior, "Gajo que tem uma perna mais curta que a outra!". Chorei e gritei "Não se faz! Vós sois muito maus para mim!". Fugi... desisti daquela vida, fui morar para debaixo da ponte com um cão chamado Timóteo... e aqui estou.
O Oneiros lançou a sua cabeça na direcção das mãos, num pranto horrível. Rasgou as suas roupas, exibindo o seu peito peludo e a sua tatuagem da galinha. Cambaleante, fugiu para a rua onde berrou histericamente durante minutos a fio, até que o homem do café lhe pediu "Olhe, desculpe lá, podia parar com isso? É que não é lá muito bom para o negócio ter um gajo semi-nu em frente ao café aos berros", ao que ele respondeu "ya".
Eu sucumbi às lágrimas, quando notei que o meu diminuto cérebro não é suficiente para compreender as diferenças entre uma melancia e um morango. O Sr. Martins desvanesceu, deixando um papel em cima da mesa que tinha escrito "No Verão, a vizinha de cima parece um cogumelo com olhos". Mais tarde, descobri que o Sr. Martins se tinha suicidado com um corta-unhas. Tudo o que resta dele é o papel, para o qual eu olho atentamente todos os dias.